Tentei de todas as formas hoje, escrever uma coisa bacana, afinal, estava me sentindo bem, nada em especial, apenas estava bem comigo, mas não consegui. A folha do caderno estava ali na minha frente, implorando pra receber os rabiscos de meu lápis não sabia como começar, não consegui transformar em palavras o que estava sentindo, sentado no tapete ao lado da cama, eu então apoiei a testa na palma da minha mão, e fiquei buscando em meu interior, palavras, palavras, palavras, os olhos abriam e se fechavam e nada. A folha ainda estava ali virgem, esperando qualquer gesto meu, mas não consegui dizer a uma simples folha de papel, como eu estava me sentindo, fiquei triste então, e neste momento de fúria, rasguei a folha do caderno, como quem rasga o céu da alvorada, joguei-a pela janela, e o vento encarregou de conduzi-la o mais longe que pôde, fiquei olhando até que se perdeu por traz da mangueira. Ao sentar-me de frente para o caderno lá estava outra folha branca, sem pensar, fechei o caderno. Quem sabe mais tarde eu consiga achar as palavras certas. E então dizer como me sinto.
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